O intercâmbio da AIESEC

Em 2011, na Universidade Estatual de Maringá – UEM, eu conheci essa organização internacional de estudantes. Com algumas décadas de existência a AIESEC existe em centenas de universidades pelo mundo e o seu objetivo principal – pelo que pude perceber – é criar um ambiente internacional e educar jovens para serem líderes e engajados com a ideia de um mundo mais igual. Para isso eles desenvolvem diferentes ações, dentre elas a mais popular é o intercâmbio cultural.

Existem dois tipos: o voluntário, no qual consiste em o estudante ou jovem que terminou a faculdade há no máximo 2 anos partir para um país para exercer algo à serviço da população local por algumas semanas ou até 3 meses. Esse serviço pode ser algo relacionado à área de formação ou não. Algumas opções são: Desenvolver e aplicar ateliês de inglês para crianças, ou ateliês sobre a cultura brasileira, ou ajudar em algum projeto ambiental, etc. Esse é um dos tipos de intercâmbio mais econômicos que eu conheço, já que quem parte terá apenas os gastos da taxa da AIESEC (que varia de cidade para cidade), e os custos de entrada no país (passagens, seguro-viagem, visto se necessário…). Esse tipo de intercâmbio promete estadia e alimentação gratuitas e na casa de algum membro da organização in loco.

Fiz os dois tipos de intercâmbio. Em 2011 fui para Santa Marta, na costa colombiana onde eu tive minha primeira experiência fora do Brasil e foi totalmente incrível. Na época eu era estudante de marketing e fui participar de um projeto ambiental para a criação de um parquinho ecológico + conscientização sobre reciclagem na cidade. Havia mais ou menos uns 20 estudantes nesse projeto de diferentes áreas. Meu trabalho era como relações públicas da Fundación Santa Marta Sín Limites, que geria o projeto. Fiquei hospedada em casas de famílias diferentes nos 3 meses em que estive ali, todas maravilhosas, desenvolvi muito a língua e vivi muitas coisas (por exemplo participar de uma novela colombiana!)

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Trilha no Parque Tayrona em Santa Marta, Colômbia

Em 2014, enquanto fazia a faculdade de marketing ainda, realizei um outro intercâmbio, dessa vez o profissional, onde participei de um programa de trainee na China. A mobilidade profissional oferecida pela AIESEC, diferente da opção de voluntariado, te dá mais autonomia. Uma vez que você está no país você terá mais contato com a empresa do que com a AIESEC, pelo menos comigo foi assim desde o início, nos trâmites de visto até o fim do período que fiquei por lá. Você irá viver como um expatriado, ganhando seu salário, alugando seu apartamento e lógico aprendendo demais.

Trabalhei numa rede de hotéis, resorts e shoppings chamada Wanda. Eu era trainee de marketing em um dos hotéis da rede na cidade de Quanzhou, na província de Fujian. Foi muito enriquecedor porque pude conhecer um pouco do lugar maravilhoso que é a Ásia, desenvolver muito o inglês (ainda não pensava em estudar mandarim na época) e conhecer muita gente.

Relato de Intercâmbio no Leste Europeu (Polônia) com Patrícia Rizzieri:

Meu intercâmbio para a Polônia, em 2012, surgiu de uma forma um tanto quanto impulsiva.  Eu tinha a ideia fixa de fazer um intercâmbio – mas não me recordo de passar horas pesquisando como, onde e quando fazer. O que sempre fiz incessantemente, em verdade, foi pesquisar, ler, estudar sobre certos países que sempre tive o sonho de visitar. E não vou mentir: a Polônia nunca foi um desses países. Eu adorava ler sobre sua vizinha República Tcheca, sonhava com as praças e estátuas históricas de Praga, mas por que nunca havia me estendido ao norte e lido sobre as praças coloridas de Gdánsk? Por que nunca coletei imagens das catedrais da Cracóvia, como adorava fazer com as da Alemanha?

Recomendo a AIESEC? Sim. Você acaba economizando muito (no meu caso, economizei com hospedagem, comida e transporte de uma cidade pra outra). Mas recomendo que vocês pesquisem bastante, também! O intercâmbio com a AIESEC não é algo, digamos, “uniforme”. Tudo depende da competência do seu LC (local committee) – cada cidade vai ter um, e será sempre formado por jovens universitários voluntários, que provavelmente vão amar o que fazem, mas que talvez não possuam muita experiência. Eu não tenho o que reclamar do meu intercâmbio, mas conheço muita gente que teve experiências ruins com os respectivos LCs. Minha irmã, por exemplo, foi pra Ucrânia e achou tudo muito desorganizado – para ter ideia, ela deu apenas uma semana de aula, e passou as outras sete sem nada para fazer, num dormitório com horários de entrada e saída. Então é sempre bom dar uma pesquisada no lugar que você vai, perguntar nos grupos de facebook se alguém conhece ou já foi para lá.

O que mais gostei na Polônia? Ta aí uma pergunta difícil de responder. Eu amei as comidas (que saudades da zapiekanka!). As cervejas. As pessoas eram muito fofas (lembro que um cara aleatório quase perdeu o próprio trem para me ajudar a achar o meu quando estava indo para Berlim). Os costumes. Os preços (na época, o real valia duas vezes mais que o polish zloty). Talvez o que eu mais tenha gostado, de fato, foi da surpresa. Tenho tantas lembranças boas que prometi a mim mesma que algum dia voltarei. 

Dá para passear por outros países? Eu tive vários dias de férias nos recessos de Natal e Ano Novo. Então consegui ir para Berlim e Praga e aproveitar muito bem! Foi a parte do intercâmbio que acabei gastando mais, mas valeu muito a pena. Em intercâmbios fora dessa época eu acredito que as pessoas acabam aproveitando para viajar antes ou depois de começar seus respectivos projetos.

 

Bônus: na minha última semana na Polônia, fiquei na melhor família possível. Sério. Era uma família estilo “doze é demais” – moravam no meio de uma floresta(?),tinham seis filhos, andavam em uma van, e eram, digamos, muito aventureiros. Muito mesmo. Todas as famílias que me hospedaram queriam aproveitar ao máximo a única semana que eu ficaria com eles, então sempre fazíamos alguma coisa diferente, mas essa levou isso muito a sério. Com eles, fiz as seguintes coisas: fui em um clube com piscina (interna e aquecida, claro, mas quando eu imaginaria entrar em uma piscina no meio do inverno na Polônia?); fui esquiar pela primeira vez na vida (e descobri um talento natural pra isso hahha); patinei no gelo, em cima de um lago congelado com paisagens lindas; e pasmem: voei em um mini avião (aqueles pequenos, abertos, não manjo de nomes, sorry!), porque meu host father era piloto. Foi surreal.

 Se alguém estiver interessado em fazer intercâmbio e precisar de alguma ajuda ou informação, podem me procurar (meu e-mail é patricia.rizzieri@hotmail.com). Mas vão! Vale a pena 

Como fazer um intercâmbio pela AIESEC?

O processo consiste em:

– Fazer uma pequena entrevista com o responsável por intercâmbios, para vocês se conhecerem e, dependendo, uma parte da conversa poderá ser em espanhol ou inglês.

– A Organização possui uma plataforma gigante para você procurar as vagas que te interessam entre milhares de oportunidades de intercâmbio pelo mundo. É após você pagar a taxa do escritório que você vai se aventurar nessa fase.

– Não esqueça de aprender todas as 347329874 siglas da @*

– Durante essa procura (que normalmente dura alguns meses) você tem liberdade para se candidatar para as vagas que quiser e terá uma ajuda de um dos membros da AIESEC para obter respostas ou dicas para sua candidatura.

– Quando uma empresa ou ONG te responde, vocês irão fazer uma ou algumas entrevistas por Skype e se rolar, parabéns, você vai partir para uma experiência maravilhosa.

– Depois de dar match com a sua ONG ou empresa crush é hora de cuidar dos finalmentes: reuniões com o pessoal da AIESEC, comprar passagem, seguro, fazer o visto, etc.

 

* @ é a sigla para AIESEC

P.s.: Esse post é escrito totalmente baseado nas minhas experiências lá em 2011 e 2014, o melhor é sempre buscar informação direto com a organização.

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